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    12/31/2006

    Somos Bailarinos - Cecilia Montesanti

    SOMOS BAILARINOS

    Num bailado incessante repleto de saltos, giros e rodopios, tento dar respostas às perguntas que a Vida me faz a todo instante:

    Quem pensa que é? O que quer de mim? Indaga-me a Vida.

    Penso que sou bailarina que dança a sua música. Quero dançar para você, dançar com você, apenas.

    Mas Ela continua a me perquirir:

    _ Como quer dançar para mim, dançar comigo, se ainda não aprendeu a ouvir-me, nem a ver-me? Fundamental  é que se entregue de corpo e alma a mim sem receio, sem se importar com o ontem ou com o amanhã. Eu toco para você, você apenas escuta, sente e dança.  Algumas vezes dançará exclusivamente para mim e comigo, noutras vezes, acompanhada. Porém, dançar com  o outro exige sincronismo, como o bailar dos planetas no espaço que ora se alinham, ora se afastam para se encontrarem novamente num novo ciclo, compreende? Não vê quão diminuta é sua faculdade de livre-arbítrio? Não vê que posso mudar todo o seu destino num simples piscar de olhos, sem que se possa fazer nada a respeito? Infelizmente, nem todos conseguem ouvir minha voz. Uns, porque não querem, outros, porque não aprenderam a ouvir com o coração. É preciso se libertar de toda a arrogância, de toda sensação de onipotência que corrompe o coração humano. Pobres humanos! Quer ouvir-me? É simples. Purifique primeiro o seu coração e venha humildemente interpretar a beleza da nossa trajetória. Venha, mergulhe agora! Liberte-se dos seus medos irracionais e entregue-se totalmente a mim. Somente assim poderá conhecer-me e, uma vez conhecendo-me, conhecerá a si própria!

    12/30/2006

    Recomeçar - Paulo Roberto Gaefke

    Recomeçar

    Não importa onde você parou,
    em que momento da vida você cansou,
    o que importa é que sempre é possível
    e necessário "Recomeçar".

    Recomeçar é dar uma nova
    chance a si mesmo.
    É renovar as esperanças na vida
    e o mais importante:
    acreditar em você de novo.

    Sofreu muito nesse período?
    Foi aprendizado.

    Chorou muito?
    Foi limpeza da alma.

    Ficou com raiva das pessoas?
    Foi para perdoá-las um dia.

    Sentiu-se só por diversas vezes?
    É por que fechaste a porta até para os outros.

    Acreditou que tudo estava perdido?
    Era o início da tua melhora.

    Pois é!
    Agora é hora de iniciar,
    de pensar na luz,
    de encontrar prazer nas coisas simples de novo.

    Que tal um novo emprego?
    Uma nova profissão?
    Um corte de cabelo arrojado, diferente?
    Um novo curso,
    ou aquele velho desejo de apender a pintar,
    desenhar,
    dominar o computador,
    ou qualquer outra coisa?

    Olha quanto desafio.
    Quanta coisa nova nesse mundão
    de meu Deus te esperando.

    Tá se sentindo sozinho?
    Besteira!
    Tem tanta gente que você afastou
    com o seu "período de isolamento",
    tem tanta gente esperando apenas um
    sorriso teu para "chegar" perto de você.

    Quando nos trancamos na tristeza nem
    nós mesmos nos suportamos.
    Ficamos horríveis.
    O mal humor vai comendo nosso fígado,
    até a boca ficar amarga.

    Recomeçar!
    Hoje é um bom dia para começar
    novos desafios.

    Onde você quer chegar?
    Ir alto.
    Sonhe alto,
    queira o melhor do melhor,
    queira coisas boas para a vida.
    pensamentos assim trazem para nós
    aquilo que desejamos.

    Se pensarmos pequeno,
    coisas pequenas teremos.

    Já se desejarmos fortemente o melhor
    e principalmente lutarmos pelo melhor,
    o melhor vai se instalar na nossa vida.

    E é hoje o dia da Faxina Mental.

    Joga fora tudo que te prende ao passado,
    ao mundinho de coisas tristes,
    fotos,
    peças de roupa,
    papel de bala,
    ingressos de cinema,
    bilhetes de viagens,
    e toda aquela tranqueira que guardamos
    quando nos julgamos apaixonados.
    Jogue tudo fora.
    Mas, principalmente,
    esvazie seu coração.
    Fique pronto para a vida,
    para um novo amor.

    Lembre-se somos apaixonáveis,
    somos sempre capazes de amar
    muitas e muitas vezes.
    Afinal de contas,
    nós somos o "Amor".

    Paulo Roberto Gaefkedo - Livro " Decidi Ser Feliz "

    VIVA O RECOMEÇO!

    VIVA A ESPERANÇA!

    VIVA 2007!

     
    12/29/2006

    Receita de Ano Novo - Carlos Drummond de Andrade

    Receita de Ano Novo
    Para você ganhar belíssimo Ano Novo
    cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
    Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
    (mal vivido ou talvez sem sentido)
    para você ganhar um ano
    não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
    mas novo nas sementinhas do vir-a-ser, novo
    até no coração das coisas menos percebidas
    (a começar pelo seu interior)
    novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
    mas com ele se come, se passeia,
    se ama, se compreende, se trabalha,
    você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
    não precisa expedir nem receber mensagens
    (planta recebe mensagens?Passa telegramas?).
    Não precisa fazer lista de boas intenções

    para arquivá-las na gaveta.
    Não precisa chorar de arrependido
    pelas besteiras consumadas
    nem parvamente acreditar
    que por decreto da esperança
    a partir de janeiro as coisas mudem
    e seja tudo claridade, recompensa,
    justiça entre os homens e as nações,
    liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
    direitos respeitados, começando
    pelo direito augusto de viver.
    Para ganhar um ano-novo
    que mereça este nome,
    você, meu caro, tem de merecê-lo,
    tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
    mas tente, experimente, consciente.
    É dentro de você que o Ano Novo
    cochila e espera desde sempre.

    (Carlos Drummond de Andrade)

    12/28/2006

    Oração para o Fim do Ano

    ORAÇÃO PARA O FIM DO ANO 

    "Senhor Deus, dono do tempo e da eternidade,
    Teu é o hoje e o amanhã, o passado e o futuro.
    Ao acabar mais um ano, quero te dizer obrigado
    por tudo aquilo que recebi de Ti.
    Obrigado pela vida e pelo amor, pelas flores, pelo ar
    e pelo sol, pela alegria e pela dor,
    pelo que é possível e pelo que não foi.
    Ofereço-te tudo o que fiz neste ano, o trabalho
    que pude realizar, as coisas que passaram pelas minhas mãos
    e o que com elas pude construir.
    Apresento-te as pessoas que ao longo destes meses pude conviver,
    as amizades novas e as antigas,
    os que estão perto de mim e os que estão mais longe,
    os que me deram sua mão e aqueles que pude ajudar,
    os com quem compartilhei a vida, o trabalho, a dor e a alegria.
    Mas também, Senhor, hoje quero Te pedir perdão.
    Perdão pelo tempo perdido, pelo dinheiro mal gasto,
    pela palavra inútil e o amor desperdiçado.
    Perdão pelas obras vazias e pelo trabalho mal feito,
    perdão por viver sem entusiasmo.
    Também pela oração que aos poucos fui adiando
    e que agora venho apresentar-te, por todos meus olvidos,
    descuidos e silêncios, novamente te peço perdão.
    Nos próximos dias começaremos um novo ano.

    Paro a minha vida diante do novo
    calendário que ainda não se iniciou
    e Te apresento estes dias,
    que somente Tu sabes se chegarei a vivê-los.
    Hoje, Te peço para mim, meus parentes e amigos, a paz e a alegria,
    a fortaleza e a prudência, a lucidez e a sabedoria.
    Quero viver cada dia com otimismo e bondade,
    levando a toda parte um coração cheio de compreensão e paz.
    Fecha meus ouvidos a toda falsidade e meus lábios a palavras
    mentirosas, egoístas ou que magoem.
    Abre, sim, meu ser a tudo o que é bom.
    Que meu espírito seja repleto somente de bênçãos
    para que as derrame por onde eu passar.
    Senhor, a meus amigos que lêem esta mensagem,
    enche-os de sabedoria, paz e amor. E que nossa amizade dure
    para sempre em nossos corações.
    Enche-me, também, de bondade e alegria, para que
    todas as pessoas que eu encontrar no meu caminho
    possam descobrir em mim um pouquinho de Ti.
    Dá-nos um ano feliz, e ensina-nos a repartir felicidade.
    Amém!”
      

       

    Feliz 2007!

    12/27/2006

    Fernando Pessoa e heterônimos

    Quer Pouco

    Ricardo Reis

    Quer pouco: terás tudo. 
    Quer nada: serás livre. 
    O mesmo amor que tenham 
    Por nós, quer-nos, oprime-nos. 

    “Desde criança tive a tendência para criar em meu  torno um  mundo  fictício,

    de  me  cercar  de  amigos e  conhecidos  que  nunca existiram... Por  qualquer

    motivo temperamental que me não proponho analisar, nem importa que analise,

    construí  dentro  de  mim  várias  personagens  distintas  entre  si  e de  mim,

    personagens essas a que atribuí poemas vários que não são como eu, nos  meus

    sentimentos e idéias, os escreveria. Assim têm estes poemas de Caeiro,  os de 

    Ricardo Reis  e  os  de Álvaro  de  Campos  que  ser considerados. Não  há  que

    buscar  em  quaisquer  deles  idéias  ou  sentimentos  meus,  pois muitos deles

    exprimem idéias que não aceito, sentimentos que nunca tive. Há simplesmente

    que os ler como estão, que é aliás como se deve ler.”  Fernando Pessoa

     

    Sábio

    Ricardo Reis

    Sábio é o que se contenta com o espetáculo do mundo, 
        E ao beber nem recorda 
        Que já bebeu na vida, 
        Para quem tudo é novo 
        E imarcescível sempre.

    Coroem-no pâmpanos, ou heras, ou rosas volúteis, 
        Ele sabe que a vida 
        Passa por ele e tanto 
        Corta à flor como a ele 
        De Átropos a tesoura. 

    Mas ele sabe fazer que a cor do vinho esconda isto, 
        Que o seu sabor orgíaco 

        Apague o gosto às horas, 
        Como a uma voz chorando 
        O passar das bacantes. 

    E ele espera, contente quase e bebedor tranqüilo, 
        E apenas desejando 
        Num desejo mal tido 
        Que a abominável onda 
        O não molhe tão cedo. 

     

          Depus a Máscara

           Álvaro de Campos

           Depus a máscara e vi-me ao espelho. —  
           Era a criança de há quantos anos.  
           Não tinha mudado nada...  
           É essa a vantagem de saber tirar a máscara.  
           É-se sempre a criança,  
           O passado que foi  
           A criança.  
           Depus a máscara, e tornei a pô-la.  
           Assim é melhor,  
           Assim sem a máscara.  
           E volto à personalidade como a um términus de linha.

     

           Se Eu Pudesse

            Alberto Caeiro

            Se eu pudesse trincar a terra toda  
            E sentir-lhe uma paladar, 
            Seria mais feliz um momento ...  
            Mas eu nem sempre quero ser feliz.  
            É preciso ser de vez em quando infeliz  
            Para se poder ser natural...

            Nem tudo é dias de sol, 
            E a chuva, quando falta muito, pede-se. 
            Por isso tomo a infelicidade com a felicidade 
            Naturalmente, como quem não estranha 
            Que haja montanhas e planícies 
            E que haja rochedos e erva ...

            O que é preciso é ser-se natural e calmo 

            Na felicidade ou na infelicidade, 
             Sentir como quem olha, 
             Pensar como quem anda, 
             E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre, 
             E que o poente é belo e é bela a noite que fica... 
             Assim é e assim seja ... 

     

            Antes o Vôo da Ave

             Alberto Caeiro

            Antes o vôo da ave, que passa e não deixa rasto,
            Que a passagem do animal, que fica lembrada no chão.
            A ave passa e esquece, e assim deve ser.
            O animal, onde já não está e por isso de nada serve,
            Mostra que já esteve, o que não serve para nada.
            A recordação é uma traição à Natureza,
            Porque a Natureza de ontem não é Natureza.
            O que foi não é nada, e lembrar é não ver.

            Passa, ave, passa, e ensina-me a passar! 

    Como um Vento na Floresta

    Fernando Pessoa

    Como um vento na floresta.
    Minha emoção não tem fim.
    Nada sou, nada me resta.
    Não sei quem sou para mim.

    E como entre os arvoredos
    Há grandes sons de folhagem,
    Também agito segredos 
    No fundo da minha imagem.

    E o grande ruído do vento
    Que as folhas cobrem de som
    Despe-me do pensamento :
    Sou ninguém, temo ser bom.

    Como é Por Dentro Outra Pessoa

    Fernando Pessoa

    Como é por dentro outra pessoa 
    Quem é que o saberá sonhar? 
    A alma de outrem é outro universo 
    Como que não há comunicação possível, 
    Com que não há verdadeiro entendimento.

    Nada sabemos da alma 
    Senão da nossa; 
    As dos outros são olhares, 
    São gestos, são palavras, 
    Com a suposição de qualquer semelhança 
    No fundo.

     

    Basta Pensar em Sentir

    Fernando Pessoa

    Basta pensar em sentir 
    Para sentir em pensar. 
    Meu coração faz sorrir 
    Meu coração a chorar. 
    Depois de  parar de andar, 
    Depois de ficar e ir,  
    Hei de ser quem vai chegar 
    Para ser quem quer partir.

    Viver é não conseguir.

     

    Uns

    Ricardo Reis

    Uns, com os olhos postos no passado,
    Vêem o que não vêem: outros, fitos
    Os mesmos olhos no futuro, vêem
    O que não pode ver-se.

    Por que tão longe ir pôr o que está perto —
    A segurança nossa?  Este é o dia, 
    Esta é a hora, este o momento, isto 
    É quem somos, e é tudo.

    Perene flui a interminável hora
    Que nos confessa nulos.  No mesmo hausto
    Em que vivemos, morreremos.  Colhe 
    o dia, porque és ele.

     

       Natal, Tempo de União!    

    12/26/2006

    Oração Rosacruz

     

    Não Te pedimos mais luz, oh Deus.

    Senão olhos para ver a Luz que já existe;


     Não Te pedimos canções mais doces,

    Senão ouvidos para ouvir as presentes melodias 

    Não Te pedimos mais força,

    Senão o modo de usar o poder que já possuímos; 

    Não mais Amor, senão habilidade

    Para transformar a cólera em ternura;

    Não mais alegria, senão como sentir

    Mais próxima essa inefável presença,

    Para dar aos outros tudo o que já temos

    De entusiasmo e de coragem.

    Não Te pedimos mais dons, amado Deus,

    Mas apenas senso para perceber

    E melhor usar os dons preciosos

    Que já recebemos de Ti.


    Faze que dominemos todos os temores,

    Que conheçamos todas as santas alegrias,


    Para que sejamos os amigos que desejamos ser,

    Para transmitir a Verdade que conhecemos; 

    Para que amemos a pureza,

    Para que busquemos o Bem, 

    E, com todo o nosso poder, possamos elevar

    Todas as Almas, chispas do mesmo fogo divino, 

    A fim de que vivam em Harmonia e na Luz de uma Perfeita Liberdade.

    Natal é tempo de Luz!

    12/25/2006

    Oração de Natal

    Oração de Natal

     Senhor, nesta Noite Santa,

    depositamos diante de Tua manjedoura

    todos os sonhos, todas as lágrimas e

    esperanças contidos em nossos corações.

     Pedimos por aqueles que choram

    sem ter quem lhes enxugue uma lágrima.

    Por aqueles que gemem

    sem ter quem escute seu clamor.

     Suplicamos por aqueles que Te buscam

    sem saber ao certo onde Te encontrar.

     Para tantos que gritam paz,

    quando nada mais podem gritar.

    Abençoa, Jesus-Menino,

    cada pessoa do planeta Terra,

    colocando em seu coração um pouco

    da luz eterna que vieste acender

    na noite escura de nossa fé.

    Fica conosco, Senhor!
    Assim seja!

    (Autor desconhecido)

    12/23/2006

    Antoine de Saint-Exupéry

     
     
     

    " As pessoas têm estrelas que não são as mesmas. Para uns, que viajam, as estrelas são guias. Para outros, elas não passam de pequenas luzes. Para outros, os sábios, são problemas. Para o meu negociante, eram ouro. Mas todas essas estrelas se calam. Tu porém, terás estrelas como ninguém... Quero dizer: quando olhares o céu de noite, (porque habitarei uma delas e estarei rindo), então será como se todas as estrelas te rissem! E tu terás estrelas que sabem sorrir! Assim, tu te sentirás contente por me teres conhecido. Tu serás sempre meu amigo (basta olhar para o céu e estarei lá). Terás vontade de rir comigo. E abrirá, às vezes, a janela à toa, por gosto... e teus amigos ficarão espantados de ouvir-te rir olhando o céu. Sim, as estrelas, elas sempre me fazem rir!"

    "O amor não consiste em olhar um para o outro, mas sim em olhar juntos para a mesma direção."

    "Foi o tempo que dedicaste à tua rosa que fez tua rosa tão importante."

    " Não exijas de  ninguém senão aquilo que realmente pode dar."

    "Em um mundo que se fez deserto, temos sede de encontrar companheiros."  

    " Nunca estamos contentes onde estamos."


    " Será como a flor. Se tu amas uma flor que se acha numa estrela, é doce, de noite, olhar o céu. Todas as estrelas estão floridas." 
     

    "Para enxergar claro, bastar mudar a direção do olhar."  

    " Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos."


    " Sois belas, mas vazias. Não se pode morrer por vós. Minha rosa, sem dúvida um transeunte qualquer pensaria que se parece convosco. Ela sozinha é porém mais importante que vós todas, pois foi a ela que eu reguei. Foi a ela que pus a redoma. Foi a ela que abriguei com o para-vento. Foi dela que eu matei as larvas. Foi a ela que eu escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. É a minha rosa."


    " Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas"


    " Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós."


    " O amor verdadeiro não se consome, quanto mais dás, mais te ficas."


    " Só os caminhos invisíveis do amor libertam os homens.
     " 

    " O verdadeiro amor nunca se desgasta. Quanto mais se dá mais se tem."  

    "Se alguém ama uma flor da qual só existe um exemplar em milhões de estrelas, isso basta para que seja feliz quando a contempla."

    "Se tu amas uma flor que se acha numa estrela, é doce, de noite, olhar o céu. Todas as estrelas estão floridas."  

    "O Amor é a única coisa que cresce à medida que se reparte".

    Antoine de Saint-Exupéry 

    12/22/2006

    Compras de Natal - Cecília Meireles


    Compras de Natal
    Cecilia Meireles

    A cidade deseja ser diferente, escapar às suas fatalidades. Enche-se de brilhos e cores; sinos que não tocam, balões que não sobem, anjos e santos que não se movem, estrelas que jamais estiveram no céu.
    As lojas querem ser diferentes, fugir à realidade do ano inteiro: enfeitam-se com fitas e flores, neve de algodão de vidro, fios de ouro e prata, cetins, luzes, todas as coisas que possam representar beleza e excelência.
    Tudo isso para celebrar um Meninozinho envolto em pobres panos, deitado numas palhas, há cerca de dois mil anos, num abrigo de animais, em Belém.
    Todos vamos comprar presentes para os amigos e parentes, grandes e pequenos, e gastaremos, nessa dedicação sublime, até o último centavo, o que hoje em dia quer dizer a última nota de cem cruzeiros, pois, na loucura do regozijo unânime, nem um prendedor de roupa na corda pode custar menos do que isso.
    Grandes e pequenos, parentes e amigos são todos de gosto bizarro e extremamente suscetíveis. Também eles conhecem todas as lojas e seus preços — e, nestes dias, a arte de comprar se reveste de exigências particularmente difíceis. Não poderemos adquirir a primeira coisa que se ofereça à nossa vista: seria uma vulgaridade. Teremos de descobrir o imprevisto, o incognoscível, o transcendente. Não devemos também oferecer nada de essencialmente necessário ou útil, pois a graça destes presentes parece consistir na sua desnecessidade e inutilidade. Ninguém oferecerá, por exemplo, um quilo (ou mesmo um saco) de arroz ou feijão para a insidiosa fome que se alastra por estes nossos campos de batalha; ninguém ousará comprar uma boa caixa de sabonetes desodorantes para o suor da testa com que — especialmente neste verão — teremos de conquistar o pão de cada dia. Não: presente é presente, isto é, um objeto extremamente raro e caro, que não sirva a bem dizer para coisa alguma.
    Por isso é que os lojistas, num louvável esforço de imaginação, organizam suas sugestões para os compradores, valendo-se de recursos que são a própria imagem da ilusão. Numa grande caixa de plástico transparente (que não serve para nada), repleta de fitas de papel celofane (que para nada servem), coloca-se um sabonete em forma de flor (que nem se possa guardar como flor nem usar como sabonete), e cobra-se pelo adorável conjunto o preço de uma cesta de rosas. Todos ficamos extremamente felizes!
    São as cestinhas forradas de seda, as caixas transparentes os estojos, os papéis de embrulho com desenhos inesperados, os barbantes, atilhos, fitas, o que na verdade oferecemos aos parentes e amigos. Pagamos por essa graça delicada da ilusão. E logo tudo se esvai, por entre sorrisos e alegrias. Durável — apenas o Meninozinho nas suas palhas, a olhar para este mundo.

    ("Quatro Vozes", Ed. record - RJ - 1998, pág. 80)

    Natal é tempo para abrir o coração!

    12/19/2006

    Poemas de William Blake

     
    (Sepulcher-William Blake)
     
    A IMAGEM DIVINA
    Ao Perdão, Piedade, Paz e Amor,
    Todos clamam na aflição:
    E para estas virtudes prazerosas
    Afirmam sua gratidão
    Pois Perdão, Piedade, Paz e Amor,
    É Deus nosso pai querido:
    E Perdão, Piedade, Paz e Amor,
    É o homem, seu filho, a quem cuida
    Pois Perdão tem um coração humano,
    Piedade, um rosto humano,
    E Amor uma forma divina,
    E Paz, as vestes humanas
    Então todo homem em todo lugar,
    Que ora em sua tristeza
    Está a orar para a forma humana divina.
    Perdão, Piedade, Paz e Amor
    E todos devem amar a forma humana,
    Seja em pagãos, turcos ou judeus.
    Pois onde Perdão, Piedade, Paz e Amor habitam,
    Deus lá habita também.
    William Blake
     
      
     
    SOBRE A DOR DO OUTRO
    Posso ver a dor de outrem
    E não ter tal dor também?
    Posso ver sua aflição
    E não tentar dar-lhe a mão?
    E ao ver lágrima caindo,
    Não partilhar da dor ainda?
    Pode um pai ver o seu filho
    Chorar sem ficar aflito?
    E a mãe ouvir ao sentar
    Com medo o filho chorar –
    Não, não pode acontecer.
    Nunca, nunca acontecer.
    E o que de tudo sorrira
    Ouvir aflita a corruíra?
    A mágoa dos passarinhos?
    E o ai do sofrer de meninos?
    Junto ao ninho não sentar-se
    Pondo em seu peito piedade?
    Junto ao berço que balança
    Chorando com a criança?
    Não sentar-se noite e dia
    Nos trazendo calmaria?
    Não, não pode acontecer.
    Nunca, nunca acontecer.
    Ele a todos dá Sua graça
    E torna-se uma criança
    Torna-se um lamentador
    E também sente essa dor
    Não sonhe um suspiro dar
    Onde o criador não está.
    Mesmo deitar uma lágrima,
    Se o criador não se aproxima.
    Ele doa sua graça a nós
    E a aflição, talvez, destrói;
    Até a dor ser expulsa e finda
    Ele chora entre nós ainda.
    William Blake
     
     
      
    Natal é tempo de relexão! 
     
    12/18/2006

    São Francisco de Assis

      
     
     
    Oração pela Paz

    Senhor, fazei de mim um instrumento da vossa paz.
    Onde houver ódio, que eu leve o amor.
    Onde houver ofensa, que eu leve o perdão.
    Onde houver
    discórdia, que eu leve a união.
    Onde houver  dúvida, que eu leve a fé.
    Onde houver  erro, que eu leve a verdade.
    Onde houver  desespero, que eu leve a esperança.
    Onde houver  tristeza, que eu leve a alegria.
    Onde houver trevas, que eu leve a luz. 
    Ó Mestre,
    Fazei que eu procure mais
    consolar que ser consolado;
    compreender que ser compreendido;
    amar que ser amado.
    Pois é dando que se recebe,
    é perdoando que se é perdoado
    e é morrendo que se vive para a vida eterna.
     
     
     
      
      
     
    NATAL É TEMPO DE PAZ

    E A PAZ COMEÇA EM VOCÊ ! 

    12/12/2006

    La Befana - Pietra di Chiaro Luna

    Com a chegada do solstício e, para a imensa maioria dos brasileiros, do Natal, resolvi escrever sobre uma das tradições desta época na Itália. A Epifânia cristã ou a festa de La Befana, para as streghe. Na verdade, essas duas manifestações se mesclam na Itália moderna.

    A festa da Epifânia (do grego, aparição, ou a chegada de um rei, imperador) dá-se no dia 6 de janeiro. Esta é a comemoração do batismo de Cristo, com a visita dos Reis Magos. Ela teve inicio na segunda metade do século IV com a sua primeira observação dada por Epifânio. Com o passar do tempo e a mescla de pessoas que vivem esta tradição, ela se tornou, popularmente, La Befana.

    Existe uma lenda cristã que fala da velha que recusou pousada aos Reis Magos quando a caminho da visita a Jesus. Arrependida pela sua atitude, ela passou a procurar por eles, em vão. Para compensar então, passou a distribuir presentes e balas para as crianças bem comportadas e carvão para as que não eram 'boazinhas', deixando as prendas dentro de meias. Fica claro um input bastante maniqueísta que exige a obediência aos preceitos 'sociais', castigos e recompensas psicológicas, das quais nos lançamos mão até hoje.

    Hoje a festa da Epifânia/ Befana gera feiras e mercados, alguns são atrações turísticas. Como ponto culminante dessas, há a presença da própria Befana, em carne ou como efígie, distribuindo doces a quem está presente. Em algumas localidades, a efígie é queimada como símbolo do ano que passou e a transformação da boa sorte vindoura.

    Dentro das tradições mais antigas, este simbolismo é entendido de outra forma. A Befana vem às casas representando o espírito do laço familiar, como uma corrente ancestral que liga os tempos e formas dos antigos com o sangue jovem que faz parte daquele mesmo lar. Tanto que quando as efígies são queimadas, estas famílias vêem que esta é o jeito de transmutar o espírito, para que ele retorne como uma nova parte do ciclo: nascimento, morte que rege toda família, na verdade, toda a vida. Outra forma de ligação familiar está em paradas mais tradicionais, nas quais Befana aparece com seu consorte Befanos. Eles se mostram como um casal divino que trará a fertilidade e abundância (através dos presentes) dentro daquele período. Além disso, as streghe participam de círculos de cura e purificação feitos com água.

    Uma curiosidade interessante é que algumas nonas passam para seus netos um pequeno versinho que chama a Befana e, mesmo dos descendentes de famílias fervorosamente católicas, já ouviram isto:

    Befana, Befana

    Vene di nolle

    Con la scarpe role

    Vestida a romana

    Viva, viva La Befana

    Seria algo como:

    Befana, Befana,

    Vem a noite

    Com o sapato rasgado

    Vestida como romana,

    Viva, viva a Befana.

    Eu sinto que esta é a egrégora de maior união no ano. A impressão que eu tenho é que já em novembro, sentimos que o Natal está chegando, o que em parte é uma questão de cultura brasileira. Claro que existe muita gente que não gosta e muita gente que adora esta época. De qualquer forma, as pessoas se juntam às suas famílias e a energia clânica cresce. Juntando ainda com a festa de Ano Novo na qual as esperanças se renovam; (re) cria-se, em parte, a tradição e sentimentos da Epifânia, da Befana: de junção, purificação e renovação. Não importa qual a nossa tradição, ramo, ordem, religião ou família, vale que, de alguma forma, nos conectemos a energia do momento. Que nos purifiquemos, cresçamos e que nossas meias tenham mais balas do que carvão!

    Buone Fetti a tutti! 

    12/9/2006

    São João da Cruz

     
     

    Para chegares a saborear tudo,

    não queiras ter gosto em coisa alguma.

    Para chegares a possuir tudo,

    não queiras possuir coisa alguma.

    Para chegares a ser tudo,

    não queiras ser coisa alguma.

    Para chegares a saber tudo,

    não queiras saber coisa alguma.

    Para chegares ao que não gostas,

    hás de ir por onde não gostas.

    Para chegares ao que não sabes,

    hás de ir por onde não sabes.

    Para vires ao que não possuis,

    hás de ir por onde não possuis.

    Para chegares ao que não és,

    hás de ir por onde não és.

     

    Modo de não impedir o tudo:

    Quando reparas em alguma coisa,

    deixas de arrojar-te ao tudo.

    Porque para vir de todo ao tudo,

    hás de negar-te de todo em tudo.

    E quando vieres a tudo ter,

    hás de tê-lo sem nada querer.

    Porque se queres ter alguma coisa em tudo,

    não tens puramente em Deus teu tesouro.

    São João da Cruz

    O Natal já vem chegando!!!