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    8/22/2006

    Poema. Fernando Pessoa

    Para ser grande, sê inteiro: nada


    Teu exagera ou exclui.


    Sê todo em cada coisa.

    Põe quanto és


    No mínimo que fazes.


    Assim em cada lago a lua toda


    Brilha, porque alta vive.



    Fernando Pessoa - 1933

    8/14/2006

    Qual o medo que te persegue? Nelson Sganzerla

      
      
     A palavra medo é tão pequena, mas quanto arrepio nos causa quando a ouvimos sendo pronunciada! Tantos são os medos que nos acompanham durante nossa trajetória por esse planeta Terra! 

     É comum nos dias de hoje pessoas que sofrem de síndrome do pânico, coisa que há tempos atrás nunca se tinha ouvido falar. Pessoas que passam mal dentro do metrô, dentro de elevadores, não suportam lugares com aglomeração; têm pânico de falar em público. Há pessoas com depressão profunda, cuja única atividade é a de dormir o dia inteiro nos fins de semana, sem vontade sequer de abrir as janelas do quarto. 

    A vida nas grandes cidades anda muito conturbada, tantos são os medos que carregamos em nossos ombros todos os dias em que saímos de casa. Medo de perder o emprego, de não ter dinheiro para pagar as contas, de não ir bem na entrevista profissional, de “bombar” na faculdade, de perder o marido (ou vice-versa) ou, então, medo de ser assaltado no farol, do seqüestro relâmpago.

       A família nos cobra resultados (o marido cobra, a mulher cobra, os filhos cobram, a sociedade cobra); não temos mais o direito ao erro. Temos que parecer perfeitos. Isso tudo se somatiza e se transforma em medo de não dar certo, de não conseguirmos nosso objetivo, de não superar uma fase que não seja boa.  

      A falta de qualidade de vida intensifica nossos medos. Passamos a maior parte do dia em um congestionamento. Almoçamos em fast- foods; em meio a uma ligação e outra fazemos reuniões para decidir outra reunião. Todos nós carregamos uma cruz, umas mais pesadas que outras.

    Não podemos negligenciar nossa saúde, pois todos esses medos, anseios, angústias que nos acompanham estão morando e crescendo dentro de nós e um dia virão à tona em forma de hipertensão, alto colesterol, pânicos, problemas cardiovasculares e outros problemas próprios do nosso tempo. 

       E quando nos dermos conta disso, não seremos mais os meninos que fomos. Nossos cabelos estarão grisalhos, nossas crianças já serão adultas, nossos netos não terão mais paciência conosco; nossos amigos aos poucos estarão indo embora. Estaremos ficando cada vez mais sozinhos e quando nos dermos conta já não dará mais tempo para enfrentarmos o medo que nos persegue.

    Por isso, páre enquanto há tempo! Curta mais a sua vida. Vá a lugares diferentes, dê preferência ao ar livre; pratique esporte; ande com sua mulher/marido. Assuma que você é igual a todo mundo, com tristezas, alegrias, incertezas. Não queira parecer nunca o que você não é, pois a vida vai cobrá-lo mais dia, menos dia.

    8/13/2006

    Pai. Fábio Jr.

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    Pai, pode ser que daqui a algum tempo
    Haja tempo pra gente ser mais
    Muito mais que dois grandes amigos, pai e filho talvez
    Pai, pode ser que daí você sinta,

    qualquer coisa entre esses vinte ou trinta
    Longos anos em busca de paz....
    Pai, pode crer, eu tô bem eu vou indo,

    tô tentando vivendo e pedindo
    Com loucura pra você renascer...
    Pai, eu não faço questão de ser tudo,

    só não quero e não vou ficar mudo
    Pra falar de amor pra você
    Pai, senta aqui que o jantar tá na mesa,

    fala um pouco tua voz tá tão presa
    Nos ensine esse jogo da vida,

    onde a vida só paga pra ver
    Pai, me perdoa essa insegurança,

    é que eu não sou mais aquela criança
    Que um dia morrendo de medo,

    nos teus braços você fez segredo
    Nos teus passos você foi mais eu
    Pai, eu cresci e não houve outro jeito,

    quero só recostar no teu peito
    Pra pedir pra você ir lá em casa

    e brincar de vovô com meu filho
    No tapete da sala de estar
    Pai, você foi meu herói meu bandido,

    hoje é mais muito mais que um amigo
    Nem você nem ninguém tá sozinho,

    você faz parte desse caminho ,

    que hoje eu sigo em paz !!!!!

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    8/7/2006

    Clarisse Lispector

     “Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro.”

     

     “Minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem de grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite.”

     

    “Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei.
    Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.”

     

     “Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato. Ou toca ou não toca."

    Clarisse Lispector

     

    IMPERDOÁVEL

    Existe perdão para a falsidade, para os enganos comuns da humanidade,
    para as dificuldades em quitar os compromissos,
    nas pequenas mentiras que apagam "incêndios",
    existe perdão até para os que cometem delitos diversos,
    mas, é imperdoável desistir da própria vida,
    dos sonhos que alimentam a trajetória do homem.

    Desista de tudo, de lutar pelo filho que não quer mudar,
    da filha que decidiu abandonar a casa em tom de rebeldia,
    do "amor da sua vida" que quer "mais liberdade",
    do emprego que te suga até a alma,
    da escola que só não é mais chata por falta de vagas,
    do sonho de cantar na Broadway.

    Que se danem os vizinhos "malas",
    os parentes fofoqueiros,
    os chatos de plantão,
    o que importa é que entre mortos e feridos,
    você está salvo!

    A vida abre portas novas a cada dia,
    para a esquerda, para a direita,
    é uma festa de oportunidades para quem tem olhos para ver,
    abra os seus, mude o disco, mude a roupa, o estilo,
    o penteado, a cor dos sapatos, ande descalço...
    só não desista de você, é imperdoável perdemos alguém tão especial,
    tão essencial, como você.

    O que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesmo.

    Clarisse Lispector 

    8/6/2006

    Vive. Alberto Caieiro

    Vive, dizes, no presente,
    Vive só no presente.

    Mas eu não quero o presente, quero a realidade;
    Quero as cousas que existem, não o tempo que as mede.

    O que é o presente?
    É uma cousa relativa ao passado e ao futuro.
    É uma cousa que existe em virtude de outras cousas existirem.
    Eu quero só a realidade, as cousas sem presente.

    Não quero incluir o tempo no meu esquema.
    Não quero pensar nas cousas como presentes; quero pensar nelas 
                    como cousas.
    Não quero separá-las de si-próprias, tratando-as por presentes.

    Eu nem por reais as devia tratar.
    Eu não as devia tratar por nada.

    Eu devia vê-las, apenas vê-las;
    Vê-las até não poder pensar nelas,
    Vê-las sem tempo, nem espaço,
    Ver podendo dispensar tudo menos o que se vê. 
    É esta a ciência de ver, que não é nenhuma.